bolao da caixa mega da virada Clarice Lispector e o carnaval do Recife

"Como relacionar agora, nesse climabolao da caixa mega da viradaChopin, o carnavalbolao da caixa mega da viradaClarice com a felicidade do carnaval do Recife?"

Clarice Lispector
Clarice Lispector (Foto: Divulgação/Rocco)


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Acompanhem estas linhas que associam o carnaval do Recife a trechosbolao da caixa mega da viradaRestos do Carnaval, um belo textobolao da caixa mega da viradaClarice Lispector:  

“E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrissebolao da caixa mega da viradabotão que erabolao da caixa mega da viradagrande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidadebolao da caixa mega da viradaprazer que era secretabolao da caixa mega da viradamim. Carnaval era meu, meu”, fala Clarice.

Lembro que as criançasbolao da caixa mega da viradasubúrbio no Recife também possuíam o mesmo sentimento. 

Em frente ao Cinema Império,bolao da caixa mega da viradaÁgua Fria, passavam, reuniam-se meninos, homens, piratas, colombinas, vedetes, palhaços, toureiros, zorros, ursos, lança-perfumes, bisnagas, perfumes, mulheres, promessasbolao da caixa mega da viradacorpos nus que não podíamos pegar. Havia um suor bom onde se colavam os confetes, umas peles abrasadas, uns sovacos mal raspados que erambolao da caixa mega da viradasi mesmos fetiches do sexo nus, todos comprimidos, esbarrando-se num fogo que desejava a tudo queimar, arder até a alma pobre da gente. Toquem o frevo mais alto. Uma explosãobolao da caixa mega da viradabraços e pernas na dança, uma multidão revolta, uma humanidade negra, mulata, branca, revoltada, que se anunciava, e não sabíamos: atenção, menino, atenção, infância: “nós passaremos”. Toquem o frevo mais alto! 

Esse era o carnaval do Recife que vi no tempobolao da caixa mega da viradamenino. Já o carnavalbolao da caixa mega da viradaClarice é uma festa do mundo que se abre para ela. Abre e fecha, porque nabolao da caixa mega da viradacrônica há um carnaval do qual ela não participava, embora muito o desejasse: 

“No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pébolao da caixa mega da viradaescada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem”. 

Aqui uma pausa. Eu morei nesse sobrado. Morar, modobolao da caixa mega da viradadizer. Que diferença entre o vivido por mim e o narrado por ela. Eu me pergunto se já na frasebolao da caixa mega da viradaClarice, “sobrado onde morávamos”, se não há um exagero, uma dignificação, uma elipse, que se não mente, omite. Explico. Se o sobrado inteiro era dabolao da caixa mega da viradafamília, então ela não era tão pobre quanto aparece no relato e na biografiabolao da caixa mega da viradaBenjamin Moser. O mais razoável é supor que ela e família ocupassem no sobrado apenas uns três cômodos, como chamamos no Recife à divisãobolao da caixa mega da viradaespaço cuja unidade é a medidabolao da caixa mega da viradaum quarto simples. Bem sei,bolao da caixa mega da viradaviva morada, quando morei no “sobrado da infânciabolao da caixa mega da viradaClarice Lispector”. Em 1978, o sobrado era pensão, um pardieirobolao da caixa mega da viradaparedes úmidas e muitos quartos. Em 78 eu não sabia que ali havia sido a casa da infânciabolao da caixa mega da viradaClarice Lispector. Para mim, até hoje, ele é soturno e irrespirável. Entrar nele, lembro bem, era entrar como os condenados que depoisbolao da caixa mega da viradaum dia fora voltam à prisão. O lugar era segregador e irrespirável. 

Nas fotos da internet, o “sobrado da infânciabolao da caixa mega da viradaClarice Lispector” aparece pintadinho e recuperado para ser a casa da escritora. Nas imagens, perdeu seu aspecto medonhobolao da caixa mega da viradapensãobolao da caixa mega da viradareclusos, virou casa agradável, como pode ser vistobolao da caixa mega da viradamuitos sítios da web. Mas aqui, mais uma vez, nas fotos há um cenário pintado. Para escrever estas linhas, ontem voltei ao sobradobolao da caixa mega da viradanúmero 387, na praça Maciel Pinheiro. A placa, onde seria lido algo como “aqui viveu a escritora Clarice Lispector na infância”, está escura, com letras apagadas, quase ilegíveis. Um dos mendigos que dormem na calçada, ao me verbolao da caixa mega da viradadificuldade para ler a inscrição no alto, gritou: 

- É 387! 

Na entrada do que foi a pensão e a casabolao da caixa mega da viradaClarice, que ficava ao lado, na Travessa do Veras,  por onde eu entrava furtivo, agora está bloqueada por espessa parede com cimento exposto. Mas voltemos à crônicabolao da caixa mega da viradaClarice. 

“No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pébolao da caixa mega da viradaescada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem”. 

Repito o trecho para observar que o carnaval onde os outros se divertiam, quando passavam pelos olhosbolao da caixa mega da viradaClarice, era o da multidão,  da gente possuída pelo frevo com o diabo no couro. A realidade humana que era, que foi, que é, ganha perenidade na música e na história. 

Imaginem uma multidão, seis, oito, dez mil pessoas, imaginem toda essa gente comprimidabolao da caixa mega da viradaum espaço estreito. Imaginem agora quebolao da caixa mega da viradarepente toda essa gente enlouquece, e quer correr, mas não sai do lugar, porque está cercada por todos os lados. Imaginem que essa gente, cada homem, cada mulher, cada menino, todos querem ainda assim abrir espaço àbolao da caixa mega da viradavolta, e todos querem isto a um só tempo. Imaginem essa gente estimulada, embriagadabolao da caixa mega da viradaálcool e alegria. Imaginem agora essa gente excitada por uma música que não se ouve só com os ouvidos, porque ela se ouve com os braços, as mãos, a boca, os pés. Imaginem, portanto, uma grande massabolao da caixa mega da viradafúria. Raiva, alegria e libertação sob ritmo. Isso é o passo, ao sombolao da caixa mega da viradaVassourinhasbolao da caixa mega da viradaPernambuco. 

Essa era a gente antes do estouro do frevo que passavabolao da caixa mega da viradafrente à porta do sobrado onde a menina Clarice vivia e morava. 

“Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um sacobolao da caixa mega da viradaconfete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficareibolao da caixa mega da viradacoração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu erabolao da caixa mega da viradatal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz. E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinhabolao da caixa mega da viradaencontro à minha mais profunda suspeitabolao da caixa mega da viradaque o rosto humano também fosse uma espéciebolao da caixa mega da viradamáscara. À porta do meu pébolao da caixa mega da viradaescada, se um mascarado falava comigo, eubolao da caixa mega da viradasúbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito sóbolao da caixa mega da viradaduendes e príncipes encantados, masbolao da caixa mega da viradapessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim”. 

O texto é uma crônica bela, cuja beleza não se extrai do mundo externo, mas do que a escritora traduz dabolao da caixa mega da viradaexclusão desse mundo, que girabolao da caixa mega da viradafebre violenta nos três diasbolao da caixa mega da viradacarnaval. Na biografia Clarice,bolao da caixa mega da viradaBenjamin Moser, assim aparece a última vezbolao da caixa mega da viradaque Clarice Lispector voltou ao Recife dabolao da caixa mega da viradainfância: 

“Em 30bolao da caixa mega da viradamaiobolao da caixa mega da virada1976, Clarice e Olga chegaram ao Recife... Ela se hospedou no Hotel São Domingos, na mesma praça Maciel Pinheiro, a pletzele (pracinha) onde passara a infância. A velha casa,bolao da caixa mega da viradacuja sacada a paralisada Mania (mãebolao da caixa mega da viradaClarice) contemplava o mundobolao da caixa mega da viradaseus últimos dias, e que a família tiverabolao da caixa mega da viradaabandonar por temorbolao da caixa mega da viradaque desmoronasse, seguia desafiando a gravidade. ‘O sobrado só mudou a cor’, disse Clarice. Ela se sentou nos bancos da praça e ficou ouvindo, arrebatada, o dialeto pernambucano característico dos vendedoresbolao da caixa mega da viradafrutas”.

Como relacionar agora, nesse climabolao da caixa mega da viradaChopin, o carnavalbolao da caixa mega da viradaClarice com a felicidade do carnaval do Recife? Se o leitor permite um recurso do gênero deus ex machina, ligo as duas pontasbolao da caixa mega da viradaClarice a este parágrafo final: 

Nestes dias, estamos todos bestas, cantarolando com aparênciabolao da caixa mega da viradaidiotas, "você diz que ela é bela, ela é bela, sim, senhor. Porém poderia ser mais bela, se ela tivesse meu amor. Bela é toda a natureza, bela é tudo que é belo". Bela é tudo que é belo, como na cançãobolao da caixa mega da viradaCapiba. E Clarice Lispector é bela.

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